Empoderamento feminino: mito ou realidade?

Por Rô Villa-Real

Nessas minhas andanças pelo Brasil tenho conhecido dezenas de empreendedores dos mais diferentes perfis. Quando os encontros são entre as mulheres, inclusive no meu grupo Colegiada de Empreendedoras, uma espécie de mantra ecoa pelos salões: “Empoderamento Feminino”. Curioso que mesmo com linda sonoridade e significado* – que descobri recentemente –, a expressão ainda gere incômodos e cause polêmica, mesmo no universo feminino. Independente disto, o meu objetivo aqui é apenas dividir com vocês como essas palavras entraram na minha vida e que resultados estou tendo com isto.

Até bem pouco tempo, eu achava que a palavra “Empoderamento” tivesse virado um desses vícios de linguagem e se aproximado de um mito urbano, de caráter simbólico. Como quebrar paradigmas nunca foi problema para mim, vi que estava errada e dei “meia-volta volver”. Esta grande descoberta ocorreu na última semana durante o Fórum da Rede de Mulheres Empreendedoras (RME), que reuniu mais de 1000 participantes de todo Brasil com o intuito de conhecer mais e debater sobre o empreendedorismo feminino no país.

A experiência foi tão legal que eu realmente gostaria de desconsiderar todas as regras de marketing digital sobre número de caracteres em blogs para extravasar a minha gratidão falando aqui de cada uma das grandes mulheres que estavam por lá, tanto as meninas do RME-RJ, grandes parceiras, como as que conheci durante as palestras, cafés e até na fila do banheiro, mas como em casa de ferreiro espeto não pode ser de pau, vou tentar resumir algumas dessas lindas histórias que me ajudaram a desmistificar o empoderamento feminino.

Semayat Oliveira: A energia e crenças desta jovem ativista negra da periferia de São Paulo são contagiantes. Semayat me fez repensar nos desafios das mulheres que empreendem sozinhas para sustentar suas famílias e do pouco espaço profissional que mulher negra ocupa na sociedade contemporânea. Mas seu ponto alto de empoderamento feminino foi na fala sobre mudança de mindset da sociedade “….Mesmo que todos quisessem e tivessem condição de sair das periferias para morar em lugares mais centrais, isto não seria possível, pois não haveria espaço. É preciso levar qualidade de vida, saúde, serviços até a periferia e não insistir na crença de que devemos sair de lá”.

Gabriela Shapazian, 16 anos: ao acompanhar pelas redes sociais o drama dos milhares de refugiados sírios que deixavam o país em direção à Grécia em pequenas embarcações pelo Mediterrâneo, Gabriela contou que ela a mãe decidiram vender flores no semáforo de São Paulo, nascia aí o projeto Flores para os Refugiados, que reserva parte do dinheiro arrecadado para que a adolescente possa usar na assistência aos refugiados na
Grécia. Quem não viu empoderamento feminino aí que atire a primeira pedra.

Além delas, não posso deixar de mencionar grandes executivas que estão fazendo história neste país, como Luiza Trajano (Magazine Luiza), Chieko Aoki (Blue Tree Hotel), Sônia Hess (Dudalina) e Ana Fontes, jornalista dona de uma bela história que começa no nordeste do nosso país e invade todo o Brasil nos enchendo de esperança e nos unindo, através de sua ideia brilhante de criar a RME e fazer eventos cheios de causa como este, que me encheu de orgulho e emoção. Claro que essas são apenas algumas dentre as milhares de histórias de mulheres empreendedoras ou não, que nos inspiram dia-a- dia e nos empoderam. Empoderamento feminino é simplicidade, justiça, eficiência, sustentabilidade etc. Eu hoje me sinto realmente empoderada da minha eterna crença de que educação e comunicação realmente transformam.

Eu hoje fico por aqui. Deixe seu comentário, compartilhe a sua história ou de mulheres que você considera vencedoras, empoderadas.

Até mais!
* http://www.onumulheres.org.br/referencias/principios-de-empoderamento-das- mulheres/

Rosângela Villa-Real é Jornalista e Empreendedora, com mais de 20 anos de experiência em Comunicação & Marketing. Passou por grandes corporações do mercado como a Oi Telecom e o HSBC Bank e estudou no Vale do Silício antes de fundar sua própria empresa, a VillaReal Comunicação Integrada, especializada em planejamento
estratégico de comunicação e clima organizacional.
Dentre as premiações que ajudou a conquistar estão Prêmios ABERJE, ABRH, Você SA e Great Place to Work, incluindo o de Melhores Empresas para as Mulheres Trabalharem. É idealizadora do grupo Colegiada de Mulheres Empreendedoras, voltado para fomentação do empreendedorismo entre mulheres de todo Brasil.

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